quarta-feira, 28 de março de 2012

Crônica: ASA, o mesmo Gigante de sempre!

Clube Social - patrimônio histórico do Gigante



“Oh craques da Sportiva, o ASA gigante tornai”. Eis o trecho da obra de arte que é o hino do ASA, composto na década de 70 pelo Maestro Jovelino Lima, com letra do Professor Pedro Reis. Gigante sempre fomos. Está no hino. O hino, a grandeza histórica, o patrimônio, a torcida, tudo sempre existiu.

O Sr. Lauthenay Perdigão, o maior historiador do futebol alagoano, conhecedor profundo do nosso futebol e responsável pelo Museu dos Esportes, já disse em várias entrevistas que “o ASA sempre foi grande e sempre montou times competitivos”. E desconheço quem possa ousar discordar do Sr. Lauthenay Perdigão.

Mas realmente não há o que discordar. Se olharmos as médias de público do ASA no século passado, veremos as mesmas médias ou até maiores que as médias de público atuais. Basta observar as fotos antigas e veremos o velho Fumeirão abarrotado de torcedores.

Se formos olhar pelo prisma do patrimônio, o ASA é proprietário de um enorme imóvel-sede localizado no centro de Arapiraca, de alto valor comercial, fincando as raízes da agremiação como clube social.

Por último, se formos olhar pela história nos gramados, o ASA, ainda no século passado jogou as três divisões do campeonato brasileiro, foi campeão alagoano em 1953, por diversas vezes foi vice-campeão, sempre montou times fortes e disputou os campeonatos palmo a palmo com os seus adversários.

Portanto, o ASA sempre foi grande, sempre foi o clube de massa, o clube do povo em Arapiraca. Outros clubes até apareceram na cidade, alguns até se profissionalizaram e disputaram campeonatos. Mas não sobreviveram. Não tiveram e não têm a mesma força da marca ASA de Arapiraca perante o povo.

Assim, o ASA, gigante e incólume, ano após ano, veio disputando os campeonatos, sempre com a massa adentrando ao Coaracy da Mata Fonseca, “o Campo do ASA”, esperançosa para que enfim pudesse novamente soltar o grito de “é campeão!”.

Então, sendo um grande clube desde as raízes, o que tem feito a diferença do século passado, quando carregávamos a pecha de time perdedor, para o século XXI, quando passamos a ser um clube vencedor e ganhador de títulos?

Ora, a diferença do ASA do século passado para o ASA da atualidade é muito simples: o amadurecimento do clube.

O ASA, antes de 2000, tinha uma auto-suficiência que não lhe permitia visualizar as próprias falhas. Isolava-se em si mesmo. Não participava ativamente das decisões na Federação Alagoana de Futebol. Entendia que bastava montar bons elencos para conquistar os títulos.

A ascensão de alguns diretores, que vivenciaram o dia a dia e sabiam das dificuldades, para o cargo de presidência foi fundamental. Esses diretores, que pós-2000 passaram a exercer a presidência, acompanharam de perto as agruras dos antecessores e não cometeram os mesmos erros.

Sim, porque aqueles que pensam que alvinegros como Luciano Machado (presidente bicampeão em 2000/2001), Noel Alves (presidente campeão em 2005), José Oliveira (atual presidente e campeão em 2011) são figuras que caíram de pára-quedas no ASA estão profundamente enganados. Todos eles participaram ativamente das gestões anteriores a 2000, em diversos cargos, e estão no clube desde o final dos anos 80.

Um clube de futebol ou qualquer outra pessoa jurídica é formado por pessoas. Não há como dissociar as pessoas que formam a entidade da própria entidade. E as pessoas que formam o ASA são pessoas maduras que vivenciaram as derrotas e aprenderam com os erros do passado.

Então, devemos observar o ASA a partir do ano 2000, não como um clube que cresceu, porque gigante sempre fomos, mas sim um clube que amadureceu.

E esse amadurecimento de diretores que estão no clube, de uma maneira ou de outra, desde jovens, fez com que o isolamento e a auto-suficiência do ASA não mais existisse. Assim, amadurecido, o ASA passou a participar ativamente das decisões que são tomadas no futebol alagoano e passou a não cometer os mesmos erros.

De resto, o clube não mudou. O patrimônio continua lá com o mesmo clube social (sendo que este patrimônio foi aumentado com a compra de um terreno para o Centro de Treinamento na zona rural de Arapiraca), a torcida continua fiel e o palco ainda é o de sempre: Estádio Coaracy da Mata Fonseca no mesmo local, o Fumeirão, hoje ampliado e mais bonito.

É fato, portanto, que o ASA sempre se impôs pela sua grandeza histórica e pela força da sua torcida. Mas hoje se impõe também por ser um clube vencedor.

E passamos a ser vencedores com a bola de Jaelson que entrou nas redes aos 25 (vinte e cinco) minutos do segundo tempo, na memorável partida de 9 de julho de 2000. Mas aquela bola não entrou por acaso e foi fruto do amadurecimento na gestão do clube.

                                                     Coaracy da Mata Fonseca lotado