quinta-feira, 18 de julho de 2013

A NN, O ASA E A MINHA INFÂNCIA


Texto publicado no livro A SAGA DA RÁDIO NOVO NORDESTE, A PIONEIRA, de autoria dos meus ídolos  e pais, Judá Fernandes de Lima e Almira Gouveia Alves Fernandes, com colaboração de vários amigos


Ser filho do diretor-presidente da Rádio Novo Nordeste e passar parte da infância e adolescência dentro de uma emissora de rádio era um grande prazer e me trazia muitas alegrias.

No caso da FM, eu podia comentar com o saudoso diretor de programação Cláudio Gomes sobre determinada música e de repente a canção estava estourada na cidade, como aconteceu com “Inocente Flor”, do grupo carioca Hojerizah, que virou hit apenas em Arapiraca. Ou mesmo ver de perto e ao vivo o manuseio dos discos de vinil pelos sempre atenciosos “controlistas”.

Já no caso da AM, o prazer era ainda maior. É que eu assistia aos jogos do ASA dentro das cabines da emissora, na maioria das vezes na cabine técnica, ao lado do competente Erivaldo Silva, o “baixinho”, que trabalhava muito para deixar o som limpo e cristalino para os ouvintes.

Essa cabine ficava ao lado da cabine dos locutores, separada por uma janela de vidro onde eu podia ver a narração, os comentários dos jogos e toda a movimentação. Eu ficava sentado no batente da cabine técnica, com as pernas balançando do lado de fora, acima das cadeiras cativas.

Até hoje muitas crianças que agora são adultos vêm me falar da inveja que sentiam de mim por estar ali. Não era para menos.

E por muitas vezes eu vi os jogos na cabine dos próprios locutores. Acompanhar os jogos ao lado da “voz do ASA”, Nelson Filho, e do comentarista Antônio Correia, sempre elegante, era uma tremenda sorte e uma grande emoção. Por vezes, o coração queria sair pela boca, em lances de perigo contra o gol alvinegro.

O querido Seba, ex-jogador do ASA e motorista da rádio, após deixar a equipe da Rádio Novo Nordeste AM 570 no “Campo do ASA”, sempre passava lá em casa para me levar aos jogos no automóvel Brasília de cor azul, denominado “Xereta”.

A saudosa Sra. Maria (torcedora-símbolo do ASA que trabalhava lá em casa) nos acompanhava. Maria preferia descer e ver os jogos nas “charmosinhas”, pequena e mais antiga arquibancada do Estádio Coaracy da Mata Fonseca, sempre por trás do banco do ASA para acompanhar de perto o time. Maria foi um dos muitos torcedores que nos deixou antes de ver o clube novamente campeão em 2000.

Eu subia para as cabines e me sentia o garoto-mascote da emissora nos jogos do alvinegro. Era como se eu fizesse parte do “escrete” da NN. Pedi para pintar no meu agasalho, que na época chamávamos de “esquente”, o logotipo da NN para os jogos noturnos na fria Arapiraca. E ficava ali vendo toda a parafernália eletrônica da rádio e os jogos em um local privilegiado.

E o ASA goleando adversários com craques como Freitas, Zé Carlos Baiano, Zé Alberto, Zeca, entre outros, e eu ali, assistindo dentro das cabines e ouvindo tudo sendo narrado pelo não menos craque Nelson Filho do meu lado.

O ASA Gigante tinha e ainda tem como canal a Rádio Novo Nordeste que acompanha o dia a dia, crescendo com o clube e com a cidade. Rádio Novo Nordeste, ASA, Arapiraca, tudo se confundindo e crescendo junto, formando uma grande harmonia. E eu, criança, observava tudo de perto.

A importância da Rádio Novo Nordeste, com os seus potentes transmissores, para a divulgação e crescimento do ASA em todo o Estado, no Nordeste, no Brasil e agora no mundo com a internet, com uma cobertura praticamente exclusiva até hoje, foi fundamental.

Sem esse exclusivo canal talvez o ASA não alçasse vôos maiores. E o ASA tem sido um grande sustentáculo para a emissora, tendo em vista a paixão e audiência que envolve um clube de massa, um clube do povo, atraindo patrocinadores para a equipe de esportes da NN.

E foi assim por oito temporadas, de 1979 a 1986, quando saí das cabines e fui para as “metálicas” formar a velha Mancha Negra, torcida organizada que criamos com alguns amigos no início de 1987 e que durou até 1998. Com o fim da torcida organizada, partimos para atuar em outras frentes com o alvinegro, sempre torcendo e colaborando para “fazer o ASA cada vez mais gigante”. Eis que, depois do fim do jejum de títulos em 2000, surgiu uma nova torcida organizada com o nome de Mancha Negra, mas sem a nossa participação.

Conheci muitos outros profissionais do rádio como Edvaldo Silva, Alves Correia, Diassis Lima, Isve Cavalcante, José Rocha, Cláudio Barbosa, Zé do Rojão, Jota Sá, Jânio Oliveira, Carlos Eduardo, Waldo César, Jarbas Lúcio, entre tantos mais, todos competentes. Foi e ainda é uma grande escola.

Brincava de ser comentarista de futebol, DJ, radialista ou jornalista em casa com os primos e irmãs. Fiz vestibular de jornalismo por experiência, mas acabei optando pelo curso de Direito.

Mas não há nada que supere o rádio. Não há nada que supere a emoção de um jogo do nosso alvinegro pelas ondas da Rádio Novo Nordeste. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

11 anos da classificação no Palestra Itália.




Sandro Mineiro, Fuscão, Fernando e Kiko -
ASA Gigante, como sempre

          Há um sério equívoco de análise quando se fala que o ASA era um time sem expressão quando obteve a classificação no Palestra Itália na Copa do Brasil de 2002. Aquela classificação foi um processo natural de um time que passou a ser vencedor, a ganhar campeonatos em uma história recente, mas que sempre foi gigante e tradicional. De incomum na classificação somente a estranha data 20.02.2002.

O ASA tinha sido campeão alagoano no século passado (1953), bicampeão alagoano (2000-2001) e naquela ocasião já havia disputado as três séries nacionais (série A em 1979, série B nos anos 80 e série C nos anos 90). Havíamos, com o bicampeonato alagoano, ultrapassado o único estigma que tínhamos a quebrar, o de ser um time perdedor, um time em jejum que não alcançava conquistas. Passamos a ser um time vencedor e de quebra tivemos uma renovação da torcida. Mas o gigante sempre existiu com a força de uma torcida que sempre lotou estádios ansiosa por títulos. Não se tratava simplesmente de um Davi que derrotou Golias. Mas sim de um clube tradicional do Nordeste que venceu o Palmeiras. Por que não?

Nesse sentido, concordo com o nosso presidente na época, Luciano Machado, que afirmou recentemente que a nossa torcida estava envelhecendo e com os dois títulos de 2000 e 2001 ela se renovou. E este vácuo na torcida faz com que muitos analisem de forma rasteira essa classificação na Copa do Brasil de 2002. Muita gente nova passou a torcer pelo clube com as conquistas de 2000/2001, geração da Internet que não acompanhou o clube anteriormente e opina como se esse passado não existisse, contribuindo para essa visão distorcida que a classificação contra o Palmeiras teria sido sorte. Assim, a classificação na Copa do Brasil de 2002, é tratada até por parte da nossa torcida como se fosse fruto do acaso, alimentando o folclore em cima da questão.

Analisando os fatos, o dia a dia do clube na época, a história não é essa. O ASA no final de 2001 fez uma campanha de reação na Série C com cinco vitórias consecutivas em cima do Central, Confiança, Corinthians Alagoano, CSA e Itabaiana. Não obtivemos a classificação porque o time começou mal na competição. Fechada a série C, o clube se manteve treinando e fez amistosos até o final do ano de 2001.

Iniciado o ano de 2002, o clube não pôde manter o mesmo treinador (Laelson Lopes que tinha um histórico de trabalhar e lançar bons jogadores das categorias de base) que recebeu proposta para dirigir as categorias de base do Bahia (que anos depois seria campeã da Taça São Paulo sub-18 com o Laelson Lopes), mas manteve a boa base de atletas como Sandro Minieiro, Cleber Carioca, Fuscão, Jânio etc e contratou o técnico Chiquinho de Assis, também baiano e promissor. Chiquinho de Assis fez a pré-temporada, mas não quis continuar o trabalho, talvez porque não estava ainda com preparo para ser técnico de um clube de força, com torcida que exigia resultados em busca de um tricampeonato alagoano.

O clube também tinha a expectativa de disputar o Campeonato do Nordeste de 2002 (por ser o então atual campeão do estado) e buscou as vias judiciais para essa finalidade, travando uma batalha jurídica contra a poderosa liga de clubes formada por Sport, Náutico, Bahia, Vitória etc., visto que tinha sido injustamente alijado da competição (até então o critério técnico para a disputa era ser campeão ou vice estadual e não ser membro de uma liga). Campeonato do Nordeste de 2002 que distribuiu cotas milionárias (transmissão da então poderosa Directv e patrocínio da TIM), valores muito maiores do que as cotas atuais (estima-se que cada clube recebeu um milhão de reais e a liga penou para derrubar apenas em Brasília, em um sábado que iniciaria o campeonato, as decisões judiciais que determinavam a inclusão do ASA por méritos na competição). O ASA vislumbrava também receber essa verba do campeonato do Nordeste e investiu  pesado para montar um bom time para entrar bem nessa competição (o que acabou não acontecendo) e também para ser tricampeão estadual.

Além de um histórico de participação em todas as divisões nacionais, três títulos estaduais, torcida apaixonada com médias de público maiores do que as de hoje, manutenção de uma base vencedora, investimento pesado para montar um bom time, o Gigante ASA encontrou um excelente técnico para substituir Chiquinho de Assis. Faltando 15 (quinze) dias para a Copa do Brasil e estréia no campeonato alagoano (e possibilidade de estréia no Campeonato do Nordeste por via de liminar), foi contratado o paulista Ubirajara Veiga para substituir o técnico Chiquinho de Assis. Com Ubirajara Veiga vieram boas indicações como o goleiro Márcio Pintinho.

E o “Bira” surpreendeu a todos com um esquema inédito no nosso clube e muito pouco utilizado até então no Brasil: o 3-5-2. Sim, mas para quem não sabe, no início de 2002 o esquema tático 3-5-2 era quase uma aberração (esquema esse que ainda em 2002 consagrou o Felipão na Copa do Mundo). Se não era uma inovação tática, até porque já era utilizado na Europa, era um esquema pouco comum no Brasil. E assustou muita gente. Lembro que os locutores das rádios e televisões paulistas elogiavam o esquema, antes, é claro, de soltar alguma piada folclórica a respeito do time, do tipo “se a Seleção de Felipão usa esse esquema, por que o ASA de Arapiraca não pode usar?”.

Além do esquema tático diferente para os padrões do futebol brasileiro na época e do Márcio Pintinho como goleiro, nosso time era muito bom e muito bem montado. Nas alas jogávamos com Sandro Mineiro, que sabia cruzar com perfeição, e Ivan, atleta muito técnico que fez o que quis em cima do veterano e cansado Arce; os três zagueiros eram Kiko, Rogério e Cléber Carioca (todos altos que inviabilizavam qualquer jogada de bolas alçadas na área do time adversário), sendo que este último ainda novo fez carreira depois em diversos times do Norte/Nordeste; no meio os fortes e bons volantes Jânio (remanescente do bicampeonato) e Fernando (era muito bom volante, por onde andará?) completavam a parede defensiva; na meia, o rápido e habilidoso Juninho, que depois foi pro Fortaleza e no clube cearense conquistou acesso para a série A como destaque, passando a ser chamado de Juninho “Cearense” (Juninho fez a linda jogada passando pela defesa do Palmeiras e que terminou no gol da classificação de Sandro Goiano); na frente um inspirado Sandro Goiano e a velocidade do Fuscão (artilheiro do time no bicampeonato de 2001 e jogador das categorias de base).

E do outro lado tinha um Palmeiras horroroso montado pelo Wanderley Luxemburgo e que acabou sendo rebaixado no final do ano formado por Arce em fim de carreira, uma zaga triste (Alexandre e César), um meio campo muito ruim (Galeano, Fernando, Magrão e Lopes, esse último um dos piores meias que já vi e que só jogou na partida de Arapiraca). Completando o time, o pior atacante que vi pisar no Coaracy da Mata Fonseca chamado Cristian. O que tinha de qualidade nesse Palmeiras era somente o goleiro Marcos (o único lúcido que deu várias entrevistas elogiando o time do ASA e reconhecendo os nossos méritos, sem tratar a vitória como folclore e que no mesmo ano seria campeão do mundo titular com a Seleção Brasileira na copa de 2002) e o então apagado meia Alex (que pipocou feio em Arapiraca, pedindo para sair da partida com 15 minutos do primeiro tempo e que depois ficou fora da Copa do Mundo). Enfim, um time inferior tecnicamente e taticamente ao nosso ASA, mas que ninguém, até hoje, parou para analisar.

A classificação em cima do Palmeiras, portanto, foi um processo natural entre uma disputa de dois times, sendo um time que tinha fama e fortuna, mas não tinha qualidade. E o outro era mais qualificado, gigante agora vencedor e que estava com sangue no olho.

No decorrer daquela Copa do Brasil, caímos diante de uma farta exposição na mídia dos atletas nos jornais, rádios, revistas e canais de televisão. De repente, passamos a ter uma equipe nacional de esportes da Rede Globo acompanhando o time diariamente. E a promessa era de que a equipe ficaria em Arapiraca até o time ser desclassificado com reportagens diárias (e ficou mesmo). Um excesso de exposição que trouxe para o nosso lado um deslumbre para os atletas e para o clube que até então estava nos outros. Então, víamos na televisão garotas chorando pelos jogadores nos treinos, cartas apaixonadas, matérias de todo tipo que nos tiraram o foco. Difícil não haver um descontrole. Ainda assim, vencemos o Confiança por 2 a 1 em Arapiraca e perdemos em Aracaju após seguramos o zero a zero até os 25 minutos do segundo tempo. Levamos o gol que nos tirava a classificação, tivemos que sair pro jogo, ficamos expostos e tomamos mais três gols em contra-ataque. Futebol é isso.

E toda essa exposição dos atletas, que passaram a ser estrelas sondadas com grandes propostas por outros times (Juninho, Cleber Carioca, Sandro Goiano etc), comprometeu também na disputa do estadual, que acabamos deixando de lado e sucumbimos no primeiro turno com resultados medíocres e, quando fomos correr atrás no segundo turno, também sucumbimos diante dos times que voltaram reforçados com a milionária cota do Campeonato do Nordeste. Não conseguimos o tricampeonato, que era realmente o que interessava naquele ano.

Mas ficou apenas a imagem errada, sem análise, de que éramos uma zebra, um time folclore, um time sem expressão quando não era nada disso. Sempre fomos uma força do futebol profissional nordestino, com tradição e com uma grande massa nas arquibancadas. Massa essa que proporcionou brigas internas no próprio clube por disputa de poder político na cidade. Massa essa que pressionava por títulos. Sempre tivemos um patrimônio, um clube social com sócios, conselheiros e diretoria organizada. Sempre fomos gigantes em médias de público e força financeira com diversos interesses políticos que se misturavam no clube, como todo grande clube. Faltavam os títulos que nos tornasse vencedores.

Os títulos vieram e a vitória contra o Palmeiras decorreu de todo um trabalho e não foi por acaso. E serviu para que o clube ainda mais amadurecesse, servindo de lição para que fossem evitados deslumbramentos dos atletas e do próprio clube nas conquistas seguintes.

                    Ivan passando fácil pelo cansado Arce

Imagens: UOL

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O escudo original de 1977



                                             Ismael Pereira – o criador


Em 1977 o ASA passou por uma grande reformulação. Novo nome (de Associação Sportiva de Arapiraca para Agremiação Sportiva Arapiraquense), novos sócios, novo patrimônio (clube social com piscinas, campo de futebol e salão de festas para os associados). Uma nova estrutura para acompanhar o crescimento da cidade.

Arapiraca vivia o auge da cultura do fumo. Explosão demográfica e de riqueza. Diversas indústrias multinacionais (francesas, holandesas, portuguesas, americanas, espanholas) se instalando na cidade. Primeira estação oficial de rádio (Rádio Novo Nordeste). Período de grande desenvolvimento, quando a cidade ficou conhecida como capital brasileira do fumo. De sexta a segunda maior cidade de Alagoas em menos de dez anos. E o ASA tinha que acompanhar esse progresso.

Cabia, então, se estudar um novo escudo, moderno, que retratasse o novo momento do clube. Eis que o brilhante artista Ismael Pereira desenhou o novo escudo abaixo:






Segundo o artista, o escudo tem forma de círculo porque é algo que não se quebra, que permanece unido, uma corrente que circula e impulsiona para frente. As tiras representam um varal de secar fumo e a meia esfera é o próprio fumo, maduro, estendido no varal. E a estrela é uma alusão ao hino de Arapiraca (“Arapiraca, estrela radiosa”).

Ismael Pereira é gênio. As obras de arte de Ismael Pereira (pinturas, esculturas, livros, desenhos) representam a nossa Arapiraca dos anos 70 e 80. Olhando com atenção, no Clube dos Fumicultores no centro de Arapiraca, várias peças do artista compõem um bonito e histórico painel nas paredes, que lembram o mesmo traço do nosso escudo.

Hoje, o Sr, Ismael Pereira mora em Aracaju e continua trabalhando e expondo grandes obras de arte. Obrigado, Ismael Pereira por essa bela peça de arte que é o nosso escudo.



                                                        Varal de fumo

Fotos: Infonet e blog Valdir Oliveira Santos 

sábado, 29 de setembro de 2012

Crônica: De onde surgiu esse Gigante?




De onde surgiu esse gigante? ASA 60 Anos de glórias e de lutas.


“Oh craques da Sportiva, o ASA gigante tornai”.

Ora, de onde surgiu esse Gigante? A resposta é simples. Gigante sempre fomos. Está no hino. Nascemos gigantes.

O hino, a grandeza histórica, o patrimônio, a torcida, tudo começou com a construção de uma estrada de ferro. Surgimos talhados a sermos gigantes, fortes como uma estrada de ferro. Um longo caminho a ser perseguido.

Em 1951, Arapiraca tinha como prefeito o Dr. Coaracy da Mata Fonseca. A feira já começava a se destacar em todo o Nordeste brasileiro. A empresa Camilo Colier estava construindo a estrada de ferro.

E essas pessoas buscavam algum meio de diversão nos dias de folga. Como não poderia deixar de ser, o futebol estava em primeiro lugar. E a pedido dos funcionários, a direção da empresa resolveu construir um campo de futebol.

Formou-se o time, que obteve o sugestivo nome de Ferroviário, com as cores preta e branca. As tardes de domingo da cidade ficaram movimentadas, pois seus habitantes tinham lugar certo para ir, o campo da estação.

Mas a construção da estrada de ferro foi concluída. Não havia mais Ferroviário. Os maiores empresários e autoridades arapiraquenses não estavam conformados com o vazio provocado pela falta do futebol.

Após várias discussões, surgiu, assim, no dia 25 de setembro de 1952, a ASSOCIAÇÃO SPORTIVA DE ARAPIRACA, era "o" ASA que surgia da força empreendedora do Sr. Antônio Pereira Rocha, o primeiro presidente.

Já no primeiro campeonato alagoano que participou, o ASA conquistou o seu primeiro título, sendo campeão alagoano de 1953, em dois memoráveis embates contra o CSE de Palmeira dos Índios, sendo o ato de homologação do título publicado na Gazeta de Alagoas do dia 7 de abril de 1954.

Sim, o ASA, em sua primeira competição, já mostrou porque é gigante, sendo CAMPEÃO ALAGOANO DE 1953.  Um time gigante que nasceu campeão.

A força de um elenco com craques como Luizinho Evangelista, Cecê, Paizé, Pinheiro, Everaldo, fincou as cores preta e branca na história do futebol alagoano.

E o clube seguiu um caminho de glórias na década de 60, seja com as famosas excursões pelo Nordeste, quando destronava os adversários de forma impiedosa, recebendo a alcunha Fantasma das Alagoas, sendo vice-campeão alagoano em 1967 e 1970, com muitos jogadores servindo de base para a seleção alagoana de futebol, como Seba, Panquela, Chico Baú, Cocorote, Sostenes, e o maior de todos, o craque Acebílio.

Eis que nos anos 70 o clube precisava se modernizar. Arapiraca estava moderna com um novo Estádio Coaracy da Mata Fonseca, agora com gramado, fosso e iluminação, agora apelidado de colosso Fumeirão. E esse apelido tem origem no progresso da cidade impulsionado pelo fumo. De pequena cidade do interior, Arapiraca passa a ser a capital do Agreste, capital brasileira do fumo e segunda maior cidade do Estado. A cidade também havia inaugurado a primeira emissora de rádio oficial, a pioneira Rádio Novo Nordeste, a maior divulgadora do nosso ASA.

O ASA não podia perder o trem dessa história. Então, o ASA aumenta a força quando os sócios patrimoniais adquirem o primeiro patrimônio, em 1977, um imóvel-sede localizado no centro de Arapiraca, fincando as raízes da agremiação como clube social.

Surge, então um novo ASA, modernizado, um clube social para a diversão das famílias alvinegras, com um novo escudo desenhado pelo artista Ismael Pereira, e com um novo nome AGREMIAÇÃO SPORTIVA ARAPIRAQUENSE.

Um novo clube, com as mesmas raízes, sem negar o passado e com olhos no futuro. E o ASA segue nos trilhos como Gigante, massacrando impiedosamente os seus adversários.

Assim, moderno, como clube de futebol e clube social, o Fantasma resolve não mais apenas assombrar nos rincões do Nordeste, mas em todo o Brasil, logrando uma campanha vitoriosa no campeonato brasileiro da Série A de 1979, firmando-se entre os 40 maiores clubes do país no final dos anos 70.

Craques como Freitas, Getúlio, Joãozinho, Paulo Silva, Geraldo Moreira, Rommel, Nem, Neto Surubim, Marquinhos Girau, entre tantos que se destacaram com o manto alvinegro durante o final da década de 70, décadas de 80 e de 90, conquistando os vices-campeonato alagoanos de 1979 e 1991, com participações nas Séries A, B e C do campeonato brasileiro.

O ASA, ainda no século passado jogou as três divisões do campeonato brasileiro, foi campeão alagoano em 1953, por diversas vezes foi vice-campeão, sempre montou times fortes e disputou os campeonatos palmo a palmo com os seus adversários, com médias de público altíssimas.

Sempre fomos gigantes, sempre fomos o clube de massa, o clube do povo em Arapiraca. Outros clubes até apareceram na cidade, alguns até se profissionalizaram e disputaram campeonatos. Mas não sobreviveram. Não tiveram e não têm a mesma força da marca ASA de Arapiraca perante o povo.

Assim, o ASA, gigante e incólume, ano após ano, veio disputando os campeonatos, sempre com a massa adentrando ao Coaracy da Mata Fonseca, “o Campo do ASA”, o Fumeirão, esperançosa para que enfim pudesse novamente soltar o grito de “é campeão!”, preso desde 1953.

E o grito de “é campeão!” novamente ecoou em nossa massa no dia 9 de julho de 2000, com gol de Jaelson aos 25 minutos do segundo tempo no estádio Rei Pelé, consagrando o alvinegro como campeão alagoano de 2000. Veio o bicampeonato de 2001, os títulos de 2003, 2005, 2009 e 2011, tornando o ASA o campeão da década, o campeão do século XXI, o campeão do milênio.

E esses títulos são fruto do nosso amadurecimento como clube, como instituição, nesses sessenta anos.

Presidentes como Paulo Tenório que dedicou uma vida para alcançar um campeonato alagoano foi um exemplo a ser seguido pelas gestões posteriores. Presidentes como Professor Zezinho Nascimento que salvou o clube de uma grande crise, com o apoio da nossa imensa torcida.

E todos esses alvinegros, presidentes ou não, que passaram pelo clube se viram recompensados nas pessoas dos alvinegros como Luciano Machado (presidente bicampeão em 2000/2001), Moisés Machado (presidente campeão em 2003), Noel Alves (presidente campeão em 2005), Celso Marcos (campeão em 2009), José Oliveira (atual presidente e campeão em 2011).

E os atletas como Denílson, Jaelson, Jota, Souza, Fuscão, Serginho, Jonathan, Moisés, Marcelinho, Celso, Delmir, Pantera, Rodriguinho, Raul, Júnior Viçosa, Didira, todos campeões da década, que honraram e ainda honram o manto alvinegro.

Mas o ASA, assim como no século passado, no atual século não apenas se restringiu a ser um clube de âmbito estadual. Destronou o Palmeiras na Copa do Brasil em 2002, venceu um campeonato interestadual em 2005 (Alagipe) e obteve o vice-campeonato brasileiro da série C de 2009, com um histórico duelo com o Rio Branco do Acre, na famosa Batalha do Acre que cinqüenta espartanos alvinegros destruíram um Estado da Federação, obtendo o acesso à Série B.

Assim, 30 anos depois da brilhante campanha na Série A de 1979, o ASA volta a estar entre os 40 maiores times do país. E a força do Gigante segue firme no trilho com um segundo patrimônio adquirido, o terreno para a construção do Centro de Treinamento, que se encontra com obra em pleno andamento.

Longa vida ao nosso clube e que possamos crescer ainda mais, e que o Fantasma das Alagoas continue fazendo história com a bravura dos atletas, a galhardia do manto alvinegro e a força da nossa torcida.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Crônica: Sobrevivência



Fazer futebol está cada vez mais caro e difícil. Transferência de jogadores em média R$ 1.000,00, salários de bons jogadores não saem a menos de R$ 4.000,00, idem técnicos. Então, só para se colocar um time em campo, considerando pré-temporada, salários, alimentação, remédios, transferências, não sai menos de cem mil reais.

Aí eu pergunto: vale a pena? Tudo isso para termos direito a quê? Um troféu e uma vaga
 na série C e Copa do Brasil. Nada mais. CBF não está preocupada com times menores. Timemania estamos fora. A situação é de muita dificuldade.

Acredito que o ASA tem que, antes mesmo de buscar ganhar novamente campeonatos, tentar sobreviver. Para isso é preciso que todos nós estejamos focados em manter o time unido, diretoria, conselho deliberativo, jogadores, torcida, sociedade
, enfim, todo mundo unido.

O novo estatuto com a criação de várias vice-presidências com delegação de poderes e o aumento do número de conselheiros já foi o primeiro passo. O segundo passo foi dado quando todos passaram a falar a mesma língua. Resta agora que as coisas tenham continuidade, que o presidente Celso e demais diretores tenham paz para que o ASA seja tocado como um todo, em todas as áreas.

Dificuldades sempre vão existir, o que não pode acontecer é o ASA retroagir. O momento de buscarmos uma saída é agora. O simples fato de termos derrotas aqui ou acolá, na minha opinião, não muda em nada. Temos que pensar não apenas em bons resultados
 dentro de campo, mas em uma maneira de sobreviver. É isso só é possível com todo mundo participando de maneira positiva, sem fofocas, sem alimentar o passado. A idéia é pensar apenas no presente e no futuro.

Acho que nenhum torcedor concorda que o ASA continue sendo apenas um time sazonal. Chegou a hora de termos uma base, uma comissão técnica duradoura, categorias de base estruturadas, centro de treinamento, receitas permanentes, enfim, um projeto que possa durar dez anos. Confio que o trabalho venha a ser nesse sentido e não apenas no imediatismo de ganhar campeonatos.


Boa sorte para nós todos.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sr. Bertino Mendonça, ex-presidente e conselheiro mais antigo


                      Sr. Bertino Mendonça, um símbolo de dedicação e de respeito ao nosso alvinegro.


Nos tempos de Mancha Negra Old Generation, nos anos 80, após mais uma eliminação do campeonato alagoano do nosso alvinegro, resolvemos fazer um protesto. Recolhemos todo o papel possível e tacamos fogo. Era anoitecer no Estádio Coaracy da Mata Fonseca, final de jogo, e o visual foi de uma arquibancada sendo queimada. O pior é que a madeira das metálicas ainda restou também queimada parcialmente. Rapazeada, por favor, não repitam isso...

Foi a primeira e única vez na vida que vi o grande Sr. Bertino Mendonça enfurecido. Ele saiu lá das cadeiras e veio protestar contra o protesto, pedindo para que nós parássemos com aquela queimada. E a imprensa passou a informação errada de que a torcida estava queimando bandeiras. Bateu um grande arrependimento de ver o Sr. Bertino Mendonça daquele jeito.

Esse é o Sr. Bertino Mendonça, figura de muita coragem  e de extrema participação em todos os momentos do ASA.

Desde as primeiras vezes que circulei no Estádio Coaracy da Mata Fonseca ou mesmo no nosso Clube Social, a figura do Sr. Bertino Mendonça me vem na mente. Foi presidente do clube e é o nosso conselheiro mais antigo. Hoje, com 83 anos, participa de todas as reuniões ainda com o mesmo vigor de quem saiu enfurecido para parar o protesto daqueles moleques.

Seja com oito ou oitenta presentes, seja em crises ou em vitórias, lá está o Sr. Bertino Mendonça, participando das reuniões da diretoria, dos associados ou do Conselho Deliberativo, colaborando com a sua larga experiência no futebol e na administração do clube, debatendo com a mesma elegância e carisma.

Sr. Bertino Mendonça talvez seja a figura mais  gentil que conheço. Em 2006, ano que o ASA teve sérias dificuldades no campeonato alagoano, vi o Sr. Bertino Mendonça literalmente passando uma sacolinha por todo o estádio, recolhendo contribuições para o “bicho” dos jogadores. Não tem tempo ruim para o nosso maior conselheiro.

Hoje o Sr. Bertino Mendonça permanece na frente de batalha e trabalha com as divisões de base, supervisionando tudo de forma incansável. E foi justamente homenageado pela Federação Alagoana de Futebol com a Taça Bertino Mendonça entregue ao campeão alagoano sub-18 de 2012 (pena que não conquistamos essa taça e ficamos com a Taça de vice-campeão, Pamilton Alves, nosso ex-atleta e ex-técnico, também uma justa homenagem).

Que o Sr. Bertino Mendonça tenha longa vida com muita saúde para que esteja sempre presente com suas palavras conciliatórias e de grande amor pelo nosso alvinegro.

Foto: Blog da Márcia Meirelles

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Coaracy da Mata Fonseca: o palco

                                                 Coaracy da Mata Fonseca nos anos 80



Arapiraca sempre foi uma cidade de oposição no cenário nacional. Em plena ditatura militar, anos 70, os estádios de futebol pipocavam em várias cidades. Belas estruturas foram montadas em Itabaiana, Mossoró, Caruraru, Recife, Campina Grande, João Pessoa, Maceió, Fortaleza, Natal, entre tantas outras.

No entanto, nossa cidade, reduto do MDB e oposto da então Arena, não recebeu um estádio estadual majestoso. Tínhamos o velho estádio municipal Coaracy da Mata Fonseca, inaugurado pelo então prefeito do mesmo nome, ainda nos anos 50, sem qualquer estrutura. Foi ali, nos anos 50, 60 e 70 que o ASA disputava campeonatos e onde os mais antigos se recordam de que a torcida apelidou o estádio de "poeirão".

Eis que o prefeito Agripino Alexandre, do MDB, em meados dos anos 70, resolveu dotar o estádio com a mínima estrutura. Sozinha e sem nenhuma verba federal ou estadual, a prefeitura pôs no velho Coaracy da Mata Fonseca um excelente gramado, fosso, bonitos túneis de acesso para os vestiários, primeira arquibancada de alvenaria apelidada de "charmosinha", refletores, setor de cadeiras cativas e cabines de rádio. E sem ter condições de construir uma grande arquibancada de alvenaria no lado oposto das cabines, a prefeitura então colocou uma grande arquibancada metálica, fixada em uma estrutura de concreto.

Estávamos no auge da cultura do fumo e com a cidade em crescimento acelerado. Logo, o novo Coaracy da Mata Fonseca passou a ser chamado de Fumeirão.

É aí, nesse palco, que o ASA mostra toda a sua força. Craques como Freitas, Rommel, Berinho, Pitico, Edinho Batalha, Nem, Marquinhos Girau e tantos outros arrebentavam em um gramado maravilhoso, que por muito tempo foi considerado um dos melhores do Nordeste.

A identidade do clube com o Estádio Coaracy da Mata Fonseca é tão grande que em Arapiraca já acostumamos a chamá-lo de "Campo do ASA".

E assim foi por mais de vinte anos. Desde o campeonato brasileiro da Série A de 1979, quando o estádio recebeu mais de 15.000 torcedores que ficaram amontoados para ver partidas do ASA contra Vasco da Gama, América-MG, entre outros, até o bicampeonato alagoano de 2000/2001, com 12.000 pagantes nas finais, a estrutura permaneceu praticamente a mesma.

Somente a partir de 2005 que o velho estádio passou a ter a sua capacidade ampliada por etapas, através da gestão do prefeito Luciano Barbosa, por coincidência do PMDB. Ganhou quatro novas arquibancadas de alvenaria, novos vestiários, sala de imprensa e, depois de trinta anos, teve toda a drenagem e gramado trocados, tendo o campo de jogo sido aumentado com o fim do fosso. E ganhou, ainda, uma das partes mais bonitas do estádio, o Museu dos Esportes dedicado ao ASA.

E é nesse palco mágico e de muita energia positiva que os novos craques continuam a desfilar, que a nossa torcida dá um show à parte e que o ASA continua a massacrar os adversários, tornando-se quase imbatível.







Fotos: Templos do Futebol e Arapiraca Legal