sexta-feira, 4 de maio de 2012

Coaracy da Mata Fonseca: o palco

                                                 Coaracy da Mata Fonseca nos anos 80



Arapiraca sempre foi uma cidade de oposição no cenário nacional. Em plena ditatura militar, anos 70, os estádios de futebol pipocavam em várias cidades. Belas estruturas foram montadas em Itabaiana, Mossoró, Caruraru, Recife, Campina Grande, João Pessoa, Maceió, Fortaleza, Natal, entre tantas outras.

No entanto, nossa cidade, reduto do MDB e oposto da então Arena, não recebeu um estádio estadual majestoso. Tínhamos o velho estádio municipal Coaracy da Mata Fonseca, inaugurado pelo então prefeito do mesmo nome, ainda nos anos 50, sem qualquer estrutura. Foi ali, nos anos 50, 60 e 70 que o ASA disputava campeonatos e onde os mais antigos se recordam de que a torcida apelidou o estádio de "poeirão".

Eis que o prefeito Agripino Alexandre, do MDB, em meados dos anos 70, resolveu dotar o estádio com a mínima estrutura. Sozinha e sem nenhuma verba federal ou estadual, a prefeitura pôs no velho Coaracy da Mata Fonseca um excelente gramado, fosso, bonitos túneis de acesso para os vestiários, primeira arquibancada de alvenaria apelidada de "charmosinha", refletores, setor de cadeiras cativas e cabines de rádio. E sem ter condições de construir uma grande arquibancada de alvenaria no lado oposto das cabines, a prefeitura então colocou uma grande arquibancada metálica, fixada em uma estrutura de concreto.

Estávamos no auge da cultura do fumo e com a cidade em crescimento acelerado. Logo, o novo Coaracy da Mata Fonseca passou a ser chamado de Fumeirão.

É aí, nesse palco, que o ASA mostra toda a sua força. Craques como Freitas, Rommel, Berinho, Pitico, Edinho Batalha, Nem, Marquinhos Girau e tantos outros arrebentavam em um gramado maravilhoso, que por muito tempo foi considerado um dos melhores do Nordeste.

A identidade do clube com o Estádio Coaracy da Mata Fonseca é tão grande que em Arapiraca já acostumamos a chamá-lo de "Campo do ASA".

E assim foi por mais de vinte anos. Desde o campeonato brasileiro da Série A de 1979, quando o estádio recebeu mais de 15.000 torcedores que ficaram amontoados para ver partidas do ASA contra Vasco da Gama, América-MG, entre outros, até o bicampeonato alagoano de 2000/2001, com 12.000 pagantes nas finais, a estrutura permaneceu praticamente a mesma.

Somente a partir de 2005 que o velho estádio passou a ter a sua capacidade ampliada por etapas, através da gestão do prefeito Luciano Barbosa, por coincidência do PMDB. Ganhou quatro novas arquibancadas de alvenaria, novos vestiários, sala de imprensa e, depois de trinta anos, teve toda a drenagem e gramado trocados, tendo o campo de jogo sido aumentado com o fim do fosso. E ganhou, ainda, uma das partes mais bonitas do estádio, o Museu dos Esportes dedicado ao ASA.

E é nesse palco mágico e de muita energia positiva que os novos craques continuam a desfilar, que a nossa torcida dá um show à parte e que o ASA continua a massacrar os adversários, tornando-se quase imbatível.







Fotos: Templos do Futebol e Arapiraca Legal