sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
O Compacto
Outro dia estava limpando minha coleção de vinis e me deparo com essa preciosidade. Eu sabia que tinha esse compacto, mas não sabia onde estava. Como tenho poucos compactos , certamente é difícil localizá-los diante dos vários LPS.
Mas ele estava lá. Encartado em um LP. É talvez o mais desejado objeto para um torcedor alvinegro e certamente uma grande relíquia para o nosso museu virtual.
Lançado em 1979, no auge da campanha na Série A daquele ano, traz um desenho inconfundível do artista Ismael Pereira na capa com um atleta vestindo o manto sagrado com "garbo varonil". E quem seria esse atleta? Não, não é ninguém específico. É apenas o traço magistral do Ismael Pereira, que tem como uma de suas marcas essas imagens de figuras caricaturescas em quadros, desenhos e esculturas. E, ao lado, o escudo original, magnífico, criado pelo mesmo artista.
Na contracapa observamos na FACE A o hino do clube, denominado ASA GIGANTE. Linda letra do Professor Pedro Reis com melodia inspirada do Maestro Jovelino Lima (que continua assistindo aos jogos quase que anonimamente pelas arquibancadas). Ao tocarmos esse Lado A e ouvindo a versão original e inconfundível do nosso hino constatamos que se trata de uma obra de arte, uma linda marcha de carnaval, cantada por Claudionor Germano e executada pela Orquestra do Maestro Jovelino. A letra do hino merece um post à parte. E na FACE B há um frevo de Lourival Oliveira, denominado BAIÃO DE FREVO, também executado pela Orquestra do Maestro Jovelino.
A "surpresa" do Lado B é que ele abre, antes do frevo, com um gol narrado pela "voz do ASA", Nelson Filho. É um gol antológico do maior artilheiro da nossa história, Freitas, com uma sucessão de bolas na trave até o desfecho com o alívio do nosso ex-presidente e narrador "Explosão do Nordeste" ao ver a bola entrando e finalmente gritar "E que GOOOOOOOOOOLLL!!!!". E no final do Lado B, após o frevo, outra "surpresa", um gol do ASA narrado pelo inconfundível vozeirão do Arivaldo Maia, uma lenda viva do rádio alagoano.
Ainda na contracapa há um agradecimento do produtor do disco, a empresa Do-ré-mi Som, à torcida Organizada Goleasa. Goleasa foi a primeira torcida organizada do ASA, que esteve ativa nos anos 70 e 80. A sua charanga com metais embalava a todos com um ritmo pulsante. Era muito divertida e eu gostava bastante.
E, por fim, constato (também na contracapa) que esse compacto foi lançado pela "fábrica de discos rozenblit ltda.", assim mesmo em letras minúsculas, antológica gravadora de Recife, responsável por grandes discos de Capiba, Zé Ramalho e do próprio Claudionor Germano. Trata-se de um lendário selo de frevo que dominou o mercado pernambucano, atingindo boa parte do mercado nacional. Daí a qualidade da bolachinha como um todo, arte, capa e o vinil propriamente dito.
Linda peça audiófila que é, sem dúvida, uma grande estrela do nosso museu.
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