quinta-feira, 18 de julho de 2013

A NN, O ASA E A MINHA INFÂNCIA


Texto publicado no livro A SAGA DA RÁDIO NOVO NORDESTE, A PIONEIRA, de autoria dos meus ídolos  e pais, Judá Fernandes de Lima e Almira Gouveia Alves Fernandes, com colaboração de vários amigos


Ser filho do diretor-presidente da Rádio Novo Nordeste e passar parte da infância e adolescência dentro de uma emissora de rádio era um grande prazer e me trazia muitas alegrias.

No caso da FM, eu podia comentar com o saudoso diretor de programação Cláudio Gomes sobre determinada música e de repente a canção estava estourada na cidade, como aconteceu com “Inocente Flor”, do grupo carioca Hojerizah, que virou hit apenas em Arapiraca. Ou mesmo ver de perto e ao vivo o manuseio dos discos de vinil pelos sempre atenciosos “controlistas”.

Já no caso da AM, o prazer era ainda maior. É que eu assistia aos jogos do ASA dentro das cabines da emissora, na maioria das vezes na cabine técnica, ao lado do competente Erivaldo Silva, o “baixinho”, que trabalhava muito para deixar o som limpo e cristalino para os ouvintes.

Essa cabine ficava ao lado da cabine dos locutores, separada por uma janela de vidro onde eu podia ver a narração, os comentários dos jogos e toda a movimentação. Eu ficava sentado no batente da cabine técnica, com as pernas balançando do lado de fora, acima das cadeiras cativas.

Até hoje muitas crianças que agora são adultos vêm me falar da inveja que sentiam de mim por estar ali. Não era para menos.

E por muitas vezes eu vi os jogos na cabine dos próprios locutores. Acompanhar os jogos ao lado da “voz do ASA”, Nelson Filho, e do comentarista Antônio Correia, sempre elegante, era uma tremenda sorte e uma grande emoção. Por vezes, o coração queria sair pela boca, em lances de perigo contra o gol alvinegro.

O querido Seba, ex-jogador do ASA e motorista da rádio, após deixar a equipe da Rádio Novo Nordeste AM 570 no “Campo do ASA”, sempre passava lá em casa para me levar aos jogos no automóvel Brasília de cor azul, denominado “Xereta”.

A saudosa Sra. Maria (torcedora-símbolo do ASA que trabalhava lá em casa) nos acompanhava. Maria preferia descer e ver os jogos nas “charmosinhas”, pequena e mais antiga arquibancada do Estádio Coaracy da Mata Fonseca, sempre por trás do banco do ASA para acompanhar de perto o time. Maria foi um dos muitos torcedores que nos deixou antes de ver o clube novamente campeão em 2000.

Eu subia para as cabines e me sentia o garoto-mascote da emissora nos jogos do alvinegro. Era como se eu fizesse parte do “escrete” da NN. Pedi para pintar no meu agasalho, que na época chamávamos de “esquente”, o logotipo da NN para os jogos noturnos na fria Arapiraca. E ficava ali vendo toda a parafernália eletrônica da rádio e os jogos em um local privilegiado.

E o ASA goleando adversários com craques como Freitas, Zé Carlos Baiano, Zé Alberto, Zeca, entre outros, e eu ali, assistindo dentro das cabines e ouvindo tudo sendo narrado pelo não menos craque Nelson Filho do meu lado.

O ASA Gigante tinha e ainda tem como canal a Rádio Novo Nordeste que acompanha o dia a dia, crescendo com o clube e com a cidade. Rádio Novo Nordeste, ASA, Arapiraca, tudo se confundindo e crescendo junto, formando uma grande harmonia. E eu, criança, observava tudo de perto.

A importância da Rádio Novo Nordeste, com os seus potentes transmissores, para a divulgação e crescimento do ASA em todo o Estado, no Nordeste, no Brasil e agora no mundo com a internet, com uma cobertura praticamente exclusiva até hoje, foi fundamental.

Sem esse exclusivo canal talvez o ASA não alçasse vôos maiores. E o ASA tem sido um grande sustentáculo para a emissora, tendo em vista a paixão e audiência que envolve um clube de massa, um clube do povo, atraindo patrocinadores para a equipe de esportes da NN.

E foi assim por oito temporadas, de 1979 a 1986, quando saí das cabines e fui para as “metálicas” formar a velha Mancha Negra, torcida organizada que criamos com alguns amigos no início de 1987 e que durou até 1998. Com o fim da torcida organizada, partimos para atuar em outras frentes com o alvinegro, sempre torcendo e colaborando para “fazer o ASA cada vez mais gigante”. Eis que, depois do fim do jejum de títulos em 2000, surgiu uma nova torcida organizada com o nome de Mancha Negra, mas sem a nossa participação.

Conheci muitos outros profissionais do rádio como Edvaldo Silva, Alves Correia, Diassis Lima, Isve Cavalcante, José Rocha, Cláudio Barbosa, Zé do Rojão, Jota Sá, Jânio Oliveira, Carlos Eduardo, Waldo César, Jarbas Lúcio, entre tantos mais, todos competentes. Foi e ainda é uma grande escola.

Brincava de ser comentarista de futebol, DJ, radialista ou jornalista em casa com os primos e irmãs. Fiz vestibular de jornalismo por experiência, mas acabei optando pelo curso de Direito.

Mas não há nada que supere o rádio. Não há nada que supere a emoção de um jogo do nosso alvinegro pelas ondas da Rádio Novo Nordeste. 

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